(Manchete da TRIBUNA DA IMPRENSA de 28 de fevereiro de 1968) O Brasil e, principalmente, o Rio de Janeiro perderam uma grande oportunidade de construir, de vez, a sua indústria de turismo de Carnaval. E, pelo contrário, deram o tiro de misericórdia nessa tentativa de fazer o Carnaval carioca a principal motivação para o afluxo de turistas ao País. O que se presenciou no dia do principal espetáculo deste Carnaval - o desfile das escolas de samba - foi qualquer coisa de desprimoroso para uma cidade que pretende ser turística: nossa reportagem teve oportunidade de registrar a revolta de turistas argentinos, franceses, espanhóis, americanos e até russos. Escolas prejudicadas pelas chuvas pedem novo desfile como compensação Armando Santos, presidente da Associação dos Cronistas Carnavalescos, interpretando o sentimento da maioria dos presidentes de escolas de Samba, pediu, ontem, que as autoridades da Secretaria de Turismo do Estado considerem como não existente o desfile de domingo das escolas de samba e promovam novo desfile, em data a ser marcada, que poderá ser sábado próximo, ou mesmo sábado de Aleluia. Os dirigentes das escolas de samba, principalmente as cinco primeiras a desfilar - Independente do Leblon, Unidos de São Carlos, Unidos de Lucas, Unidos de Vila Isabel e Portela -, alegam que as fortes chuvas que caíam desde às 9 horas da noite, prejudicaram sobremaneira a apresentação das suas respectivas escolas destruindo alegorias e prejudicando em, pelo menos, noventa por cento a beleza das fantasias. Menos gente e a alegria de sempre no Baile do Municipal O Baile de Gala do Teatro Municipal, este ano menos concorrido, foi marcado, também, pela incompreensão da polícia que "caçava" os foliões até nas mesas. Enquanto isso no meio do salão e nos camarotes, mulheres se despiam para as câmaras de televisão. A grande sensação do Baile do Municipal não foram as ricas fantasias apresentadas, foi a chegada do ex-presidente da República, sr. Juscelino Kubitschek, acompanhado da família. A vibração foi geral. A orquestra parou a música que tocava, por insistência dos foliões, que passaram a cantar o "Samba do Crioulo Doido", que se refere a JK e sua cidade natal, Diamantina. Na verdade, foi muita a euforia dos filiões, pois, com tanta liberdade, velhos e jovens entregaram-se sem restrições à alegria, em prejuízo das mais altas autoridades políticas e milicianas do País. Escolas desfilaram em noite de chuvas As escolas de samba Independente do Leblon, Unidos de São Carlos, Unidos de Lucas, Unidos de Vila Isabel e Portela foram as mais prejudicadas com as chuvas intermitentes de domingo e madrugada de segunda-feira de Carnaval. O desfile dessas cinco escolas se fez sob forte aguaceiro, o que tirou, pelo menos 80 por cento da beleza das fantasias e alegorias que apresentaram. | ||
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
O Carnaval que não houve
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Presidente da Câmara tem tradição que vem da independência
BRASÍLIA (Sucursal) - O novo presidente da Câmara dos Deputados, José Bonifácio, integrante da bancada da Arena de Minas Gerais, possui uma tradição política que remonta ao Império, atravessa a primeira República e chega aos nossos dias. Bisneto do partriarca da Independência, é o vigésimo-sexto presidente da Câmara dos Deputados e o décimo-primeiro, depois da Constituinte de 1946.
Nascido em Barbacena, a 1º de maio de 1904, o deputado José Bonifácio foi orientado, desde cedo, para a atividade política. Concluiu os estudos de formação no Colégio Santo Inácio, do Rio de Janeiro, Colégio Anchieta. Bacharelou-se pela Faculdade de Direito da Universidade do Brasil. Logo depois da revolução de 1930, em dezembro, iniciou-se na política como prefeito de sua cidade natal, permanecendo no cargo até 1933.
Medeiros nega projeto para arrolhar mais a imprensa
O ex-ministro Carlos Medeiros Silva confidenciou ontem, a um amigo pessoal, que não fará o anteprojeto de decreto-lei para "tornar mais positiva a Lei de Imprensa ou a Lei de Segurança Nacional", que lhe teria sido pedido pelo general Antônio Andrade Murici e oficiais da chamada "linha dura", durante encontro realizado em Petrópolis, no início desta semana. Esquivando-se de contato com a imprensa durante todo o dia sob a alegação que tinha interrompido suas férias, em Petrópolis, para tratar ontem, na Guanabara, de um assunto pessoal, o ex-ministro da Justiça também não quis confirmar nem desmentir a realização do encontro com militares, "para não pensarem que estou tentando voltar a ocupar posto relevante no governo".
Oposição não crê em mais "arrocho"
Os dirigentes do MDB disseram não acreditar na hipótese de ser a Lei de Imprensa reformada para impedir a divulgação de notícias contrárias ao regime, por entenderem que "a minoria militar instalada no poder já não conta com o apoio das forças que promoveram o movimento de março, para golpear novamente o cambaleante sistema democrático existente no País".
O vice-presidente do partido, deputado Oswaldo Lima Filho, observou ontem que "a desunião e o inconformismo reinantes nas classes armadas, face aos desconchavos do governo, constituem os principais entraves a qualquer plano para arrolhar a imprensa".
Brasil sofreu pressão dos EUA
Se o Brasil teve de ceder, na questão do café solúvel, isso foi conseqüência em grande parte de uma violenta pressão dos Estados Unidos, disse ontem o semanário britânico "The Economist". O jornal acrescenta que, "segundo alguns boatos, os Estados Unidos teriam chegado a ameaçar o "Brasil, em termos diplomáticos, naturalmente, que lhe contariam os subsídios concedidos no quadro da ajuda externa".
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Brizola não entra na Frente Ampla mas libera
O sr. Leonel Brizola que continua exilado no Balneário de Atlântida, no Uruguai, falando, ontem, diretamente daquela cidade, pelo telefone, com o gabinete do deputado Martins Rodrigues, na Câmara dos Deputados, disse que nada tinha a se opôr ao ingresso de antigos petebistas na Frente Ampla. Explicou o sr. Brizola que as únicas restrições que faziam à Frente Ampla eram de caráter pessoal, ao sr. Carlos Lacerda, mas que nada tinha a se opôr ao movimento, "desde que ele se propusesse a lutar pela redemocratização do País".
Piva vê convocação extra do Congresso com saldo positivo
BRASÍLIA (Sucursal) - Considerando a convocação extraordinária do Congresso Nacional "altamente valiosa sob o aspecto político, para aqueles que ainda acreditam no restabelecimento da democratização no País", o deputado Mário Piva, em nome da Liderança do MDB, lamentou a aprovação, pela Câmara, do decreto-lei que amplia as atribuições do Conselho de Segurança, e de mais quatorze proposições da mesma natureza, por decurso de prazo.
- Esse fato - assinalou o sr. Mário Piva, em discurso proferido, ontem na Câmara, por ocasião do encerramento da convocação extraordinária - há de ficar gravado na história política do Brasil, porque representa mais um passo - e um passo negativo - naquele esforço que se tem feito para a redemocratização, ou melhor, para a consolidação do processo democrático.
MDB lança Covas se Faria Lima entrar para a Arena
São Paulo (Sucursal) - O desentendimento político em torno da sucessão paulista, agrava-se a cada instante. Em reunião realizada, ontem, na residência do sr. Wilson Rahal, o prefeito Faria Lima deixou patente o seu ingresso na Arena, explicando-o como "uma contingência política". Não desmente que a sua mudança para o partido governista teria a vantagem de deixá-lo permanente na "crista da onda".
A sua negociação é vantajosa, pois obterá do sr. Abreu Sodré a secretaria do Interior, para um seu correligionário, provavelmente o deputado Baldacci Filho e do governo federal receberá um Ministértio que lhe possibilitará ficar em evidência até a data do pleito.
Costa não toma partido entre Gama e Campelo
Assessores do diretor-geral do Departamento de Polícia Federal confirmaram ontem que a crise entre o coronel Florimar Campelo e o ministro Gama e Silva, provocada pela resolução ministerial em centralizar a Censura, permanece estacionária porque o marechal Costa e Silva repeliu a idéia de mediar o problema, que considera superficial.
O ministro da Justiça despachou, em Brasília, com o marechal Costa e Silva na quarta-feira e ontem, mas se limitou a entregar o texto do decreto que exclui os espetáculos teatrais da censura prévia do Departamento de Polícia Federal, não fazendo, segundo informaram a auxiliares presidenciais, qualquer pedido ao chefe do governo para que intervenha na crise entre o PDF e sua pasta.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Posição do Brasil no desarmamento tem apoio de Magalhães
Convocado pelo chanceler Magalhães Pinto, o embaixador Araújo Castro, chefe da delegação brasileira na Conferência do Desarmamento, esteve ontem em Paris, onde, na sede da missão diplomática do Brasil, fez um relato verbal sobre a maneira com que vêm se desenvolvendo os trabalhos em Genebra. Embora nada tenha sido informado oficialmente, admite-se, nos meios diplomáticos, que o chanceler, ao convocar o embaixador Araújo Castro, teve como objetivo não apenas se informar sobre a Conferência em si, mas também reafirmar, seus apoio às teses defendidas pela delegação brasileira.
STF vê inconstitucional o artigo 48 da nova Lei de Segurança
"O Supremo Tribunal Federal deu ontem o primeiro passo para a derrubada do artigo 48 da nova Lei de Segurança Nacional - que impede ao indiciado em IPM o exercício profissional - ao julgá-lo, por unanimidade, inconstitucional. A decisão - com base no parecer do relator ministro Themístocles Cavalcante - foi adotada no julgamento do habeas-corpus impetrado pelo Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, através do advogado Augusto Sussekind de Morais Rego, em favor de sete cidadãos denunciados em IPM pelo auditor substituto da V Região Militar.
Guerrilheiros ameaçam tomar Saigon na nova ofensiva
As forças da Frente Nacional de Libertação do Vietnã do Sul - vietcongs - conseguiram romper o cinturão humano de defesa ao redor de Saigon e ameaçam agora entrar na cidade. Temendo que se repita na capital os acontecimentos de Huê, onde foram fuzilados vários elementos governamentais por "crimes de traição à pátria", as autoridades sul-vietnamitas pensam, desde ontem seriamente, em evacuar os bairros residenciais e obrigar a população rural da zona suburbana a prestar fidelidade ao governo central.
Em Washington, entretanto, o presidente Lindon Johnson prefere confiar na vitória das armas e comunicou ao secretário-geral das Nações Unidas que só aceita negociar no espírito de sua declaração de Santo Antônio, que prevê a suspensão das atividades dos guerrilheiros no Sul, como condição para discutir a paz.
P. Alves pode ganhar dois páreos na corrida de hoje
O freio Paulo Alves conta com duas boas montarias para a corrida de logo mais, podendo vencer com ambas, pois tanto Adelmo, inscrito na Prova Especial, como Ural, anotado na milha do sexto páreo possuem reais posssibilidades de vitória. Mas, a melhor é mesmo Adelmo que, retornando bem preparado, mais aguerrido e ainda com magnífico apronto nos 800 metros aparece como a força nos 2.100 metros da principal carreira de logo mais. Adelmo, esplendidamente colocado no tiro e na turma, volta agora ao regime de freio onde sempre correu mais. Na última arrematou em terceiro, mas no regime de bridão. Chegou perto, mostrando que poderia ter vencido, pois do primeiro ao terceiro a diferença não passava de um corpo.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Senado aprova projeto para revisão salarial
O projeto do senador Carvalho Pinto, ontem aprovado pelo Senado, institui o reajustamento de emergência, mantendo a sistemática de revisão salarial vigente. Pelo artigo primeiro, "os reajustamentos salariais decorrentes de decisões proferidas em dissídios coletivos ou de acordos intersindicais realizados de 1º de setembro de 1967 a 31 de agosto de 1968 serão acrescidos de um suplemento de emergência e isento de contribuições e encargos".
O suplemento de emergência será de 40 por cento sobre o reajuste salarial regularmente devido, nos termos das leis nºs 4725, de 13 de junho de 1965, e 4903, de 16 de dezembro de 1965, e dos decretos-leis nºs 15, de 29 de julho de 1967 e nº 17, de 22 de agosto de 1966, cujas disposições, ressalvado o disposto no projeto ontem aprovado continuam em vigor.
Costa diz que se esforça para tirar o País do grande atraso
SÃO PAULO (Sucursal) - Encerrado a X Reunião dos Governadores dos Estados componentes da Bacia Paraná-Uruguai o marechal Costa e Silva afirmou que "esta era a segunda vez que visitava as obras de Urubupungá, por saber que o empreendimento que ali vem se concretizando é uma obra de gigante e que merece o apoio de todos os brasileiros". Afirmou ainda que "a tônica do seu governo é construir uma estrutura para este País e para assegurar um real desenvolvimento para o Brasil".
Continuou dizendo: "Todos os esforços estão sendo canalizados para ultrapassar o atraso em que nos encontramos, não de 10 anos, mas de 30 ou talvez 40 anos, por culpa de uma omissão criminosa que vinha sendo perpetuada nesta Nação". Mais adiante, declarou: "O governo volta suas vistas para os problemas da agropecuária, para o reaparelhamento dos portos e para o complexo sistema hidrelétrico, fatores decisivos para o barateamento do custo de vida".
Iadesil se orgulha de ter ajudado a derrubar Goulart
A história do suborno dos sindicatos latino-americanos deve ser contada, efetivamente, a partir de 1962, quando a América Latina passou a figurar com prioridade nos planos estratégicos globais dos Estados Unidos. Não se trata de coincidência o fato de as operações de corrupção sindical terem sido dinamizadas justamente num período em que os interesses americanos no Hemisfério sofriam restrições por parte de alguns governos, como o de João Goulart e Jacob Arbenz.
A correlação entre a intensifição do subôrno e os sucessivos golpes de Estado ocorridos na América Latina, é provada não apenas pelos fatos, mas também, por um dos responsáveis pela criação dos fatos que fundamentam a verdade a respeito, sr. William Doherty Jr., um dos chefões da quadrilha que corrompe, pelo suborno, pela mentira, pelo engano, os sindicatos latino-americanos.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Governo vai rever o arrocho
O ministro Jarbas Passarinho declarou ontem que o governo reconhece estarem erradas as leis que institucionalizaram o arrôcho salarial no País. Anunciou a revisão dessas leis, mediante mensagem do governo do Congresso, por ocasião da reabertura dos trabalhos normais do Parlamento, a 15 de março. Essa revisão, informou, já foi plenamente aprovada pelo ministro Delfim Neto. O ministro do Trabalho anunciou também a introdução, no Brasil, do sistema de reajustamento automático e salários.
Passos renuncia ao MDB por não ter a pacificação sem anistia
O senador Oscar Passos renunciará à presidência do MDB, devendo formalizar o ato na reunião que o diretório nacional realizará em março, segundo proposta que ele próprio apresentará hoje à comissão executiva convocada extraordinariamente. O senador Oscar Passos recusa-se a aliar sua renúncia às divergências internas sobre a pacificação nacional proposta pelo sr. Luís Vianna Filho.
Entretanto, a impressão geral é de que o dirigente oposicionista resolveu afastar-se do comando partidário, por não poder sensibilizar os seus companheiros para aceitação da tese, sem os condicionamentos recomendados pela maioria emedebista.
Fiolo é também um recordista mundial
Fiolo andava atrás desse recorde há muito tempo. No Sul-Americano fugiu-lhe por entre os dedos como a água da piscina, mas ontem foi diferente. Fiolo adiantou-se ao tempo e brincou com os relógios manobrados por três experimentados cronometristas. O Guanabara não dava para mais ninguém e muita gente esteve perto do enfarte, tal a emoção que o nado jovem de Fiolo proporcionou.
Na raia nº 5 o homem-peixe engrenou sua arrancada num crescendo irresistível, até o "estouro" da marca mundial. Quando chegou à borda houve silêncio até que seu técnico - Roberto Pavel - gritou pra todo mundo ouvir: "Fiolo, meu filho, você conseguiu, você conseguiu". Para muita gente o Carnaval começou ali mesmo.